quarta-feira, 8 de abril de 2020

Carência, uma comorbidade deste coronavírus

Vivemos em um estado de exceção sendo desnecessário tecer qualquer esclarecimento relacionado a este ponto (sob o risco de ser por exaustivamente repetitivo e redundante). Tenho dito tratar-se de um “tudo de ensaio social gigante” já que isso está forçando um comportamento atípico (nunca antes vivenciado por nos, ao menos não em nossa atual fase de desenvolvimento e com este pano de fundo) e impossível de ser simulado em modelos ou teorias (a não ser talvez em maior em menor grau por alguma obra de ficção ou episódio profético dos Simpsons).

Além dos impactos à saúde pública e economia (bom seus óbvios transbordamentos políticos), há também obviamente implicações individuais no âmbito de nossos relacionamentos (ou falta deles) e saúde mental. Passadas apenas duas semanas desde a “incubação” do isolamento social (decretado em São Paulo no dia 24 de março, apesar de já parecer uma eternidade), alguns sintomas da carência começam a se manifestar com maior evidência, tal como uma espécie de comodidade do coronavírus ou, melhor dizendo, um efeito colateral da melhor tratativa de mitigação da pandemia (a segregação social).

De todo modo, acredito que na verdade a quarentena não necessariamente cria a carência, mas apenas a explicita, sendo que em maior ou menor grau ela já se mostrava presente dentro de nós. O isolamento tem sido portanto como muitos dizem ocorrer com o álcool: ele não transforma uma pessoa a ponto de fazê-la agir de forma avessa a seus princípios e valores. Ele apenas remove filtros sociais (máscaras) e explicita desejos que apenas estavam contidos. Acho válido portanto usar este “experimento” para introspecção e autoanálise permitindo refletir sobre nossos hábitos, valores e dependências.


Um animal selvagem que hiberna dentro de nós
A carência para mim é como um animal selvagem que apresenta um bom comportamento ao ser bem nutrido diariamente. Mas bastam poucos dias (senão horas) sem alimento para que o instinto se manifeste com voracidade e faça com que este animal comece a “subir pelas paredes”, sendo capaz de abocanhar um membro dos próprios “companheiros” com que antes vivia pacificamente. 

E nós não simplesmente alimentamos nossa carência apenas com exercendo o hedonismo de forma mais visceral, em um culto desimpedido aos prazeres da carne, mas também com pequenos gestos e indícios que de certa forma nutriam nosso ego, numa dança de acasalamento complexa e mais ou menos civilizada desse jogo maluco da conquista de nós humanos. É a o like ou a mensagem privada recebida com corações a cada nova postagem do Instagram (ou mudança de foto de perfil, a estratégia apelativa mor / magia especial / card apelativo do super trunfo para chamar atenção), o olhar do companheiro(a) de trabalho ou a virada de pescoço mais ou menos disfarçada na academia.  

Em alguns casos em que este animal começa a dar sinais de fome, torna-se difícil satisfazê-lo apenas com sinalizações mais sutis, sendo que aí por vezes nos apressamos a alimentá-lo sem muita atenção à qualidade ("já que não encontro a pessoa certa vai a errada mesmo”). Em outras ocasiões acabamos por exagerar na quantidade, o que pode promover alguma indigestão ou indisposição futura. Noutros casos, como que no pacto social rousseauniano, abrimos mão de parte de nossa liberdade em prol da segurança de uma relação, seja pela crença no amor romântico, por alguma instrumentação mais objetivamente utilitarista (jogos de interesses) ou tão somente para se evitar o fantasma da solidão (ter alguém apenas para não estar só).

A carência pode até aparentar estar por completo domesticada, mas seu ímpeto selvagem instintivo sempre estará lá. Mais uma vez, são os costumes e compromissos socialmente determinados que regem e controlam. Por exemplo, não deixamos de nos envolver com outras pessoas durante relacionamentos porque não tenhamos atrações ou mesmo por não nos sentirmos de algum moto carentes, mas por entendermos que não seria certo fazê-lo.


A concepção sexocêntrica da vida e a dependência da monogamia sequenciada
Somos seres gregários: de Adão e Eva aos “finais felizes” de contos de fadas e filmes Hollywoodianos. Seja biologicamente ou culturalmente nascemos e fomos criados de forma a buscar parceiros(as). Ocorre que em uma realidade de “Tinderização” de relacionamentos bastante efêmeros (escrevi sobre isso aqui: https://lucidez-insana.blogspot.com/2015/11/o-paradoxo-da-escolha-e.html ), costumo dizer que vivemos em uma monogamia sequenciada. Não é a concepção monogâmica romântica mas tampouco se aproximada da poligamia aberta e liberal que idealizamos nos haréns árabes. Para além do romantismo literário ou dos cinemas (impregnado de algum modo dentro de cada um de nós de forma a refutar parte de nossa natureza selvagem), na verdade todos estes arranjos sociais não passam convenções sociais (consuetudinárias e valorativas, é verdade), representando o que conseguimos conceber como aceitável em determinada cultura ou recorte temporal. A capacidade de criar convenções e instituições artificiais (casamento, política, economia, etc) é inclusive um dos fatores que determina a singularidade da humanidade segundo Yuval Noah Harari (Sapiens: uma breve história da humanidade), e  não serei eu a ter um papel de falso moralista ou a tomar partidos, defendendo uma posição celibatária ou amplamente hedônica. Somente estou trazendo o contexto geral atual. 

As relações sempre foram importantes (sendo inclusive temas centrais de grandes romances históricos) mas apenas recentemente conquistamos maior grau de liberdade sexual para discutir e expor certas questões mais abertamente. Mas se por um lado a solidão é psicologicamente perniciosa, em alguns casos parece que exageramos um pouco na dose e acabamos vivendo uma “ditadura do sexo” ou concepção sexocêntrica da vida, como costumo brincar nas prosas de boteco (sucedendo portanto o teocentrismo e antropocentrismo). Você volta de uma viagem fodástica em que conheceu culturas, fez aventuras, quase foi devorado por pigmeus selvagens, mas muitas vezes a pergunta de seus amigos é “e aí, transou com quantas?"

Longe de querer tecer um sermão conservador doutrinário, sou o primeiro a me confessar vítima (ou protagonista?) deste movimento (este texto aqui então talvez seja algo do tipo “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”), o que me confere um certo “conhecimento de causa” a partir das próprias experiências (e erros). Seja pela amplitude de conexões possíveis (redes sociais, celulares, deixando as pessoas estão a uma mensagem ou clique de distância), pelo habitat favorável (grandes metrópoles com bares lotados funcionando noite adentro e concentrando solteiros fazendo o jogo do acasalamento), pela demografia (pessoas permanecendo solteiras até idades mais avançadas) ou costumes (um menor preconceito às pessoas solteiras, sobretudo felizmente conquistado pelas mulheres com sua emancipação histórica - ainda que até hoje eu mesma perda suspeitas de “indício de psicopatia” nos olhares alheios ao indagarem o porquê de eu continuar solteiro do alto de mais de 36 anos vividos), pela própria abertura das pessoas e/ou liberalização social, é fato que está mais fácil envolver-se.

E está aí um grande perigo: tem-se a constante tentação para este jogo viciante e prazeroso, podendo gerar uma dependência próxima à química, sendo que o vazio existencial (o famoso “blue day”) não raras vezes nos acomete depois de uma noitada ou aventura carnavalesca. No dia seguinte nossa cama volta a ficar vazia, as mensagens trocadas são insólitas e rasas (quando elas existem ou são respondidas) e logo somos impelidos a buscar “mais do mesmo”. Seja na crença de finalmente encontrar o “par perfeito” (por tentativa e erro), seja pelo “esporte” de enumerar conquistas e trofeus, seja por um necessidade quase fisiológica de manter a auto estima alimentada, retroalimentamos então o ciclo um tanto quanto vicioso (algo próximo à fala de que nada melhor que abrir outra cerveja para curar uma ressaca). A metáfora da fome segue contribuindo bastante: se acabamos nos alimentando de coisas pouco nutritivas com refeições pouco balanceadas, logo mais estaremos famintos novamente (além de possivelmente doentes, enfraquecidos e/ou obesos no médio/longo prazo). 

Hoje vejo que, salvo exceções, na verdade as pessoas geralmente não são ou deixam de ser assim totalmente inclinados a esta visão sexocêntrica da vida. Para muitos essa rotina de viver como refém da carência acaba sendo mais uma fase, uma forma de driblar o fim de um relacionamento ou alguma outra falha existencial mais profunda. O que parece faltar na verdade é equilíbrio emocional e amor próprio para tornar a própria vida interessante de forma independente. É um clichezasso, mas como o “óbvio deve ser ressaltado”, relembro dos ditos de que não vale buscar a cara-metade se você mesmo não está bem resolvido. Isso é nonsense, até porque é muito chato conhecer uma pessoa mal resolvida, excessivamente carente e grudenta, que deposite em você todas as esperanças de salvação do mundo. Talvez isso seja melhor traduzido nas palavras de Mário Quintana “Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela".


Relatos pessoais quanto à percepção de um súbito clamor carente
Antes da quarentena já nos condicionávamos em uma vida mais ou menos “lasciva” de contatos superficiais que nos predispunha a sermos muito dependentes. Alimentamos tanto este “animal carente” que habita dentro de nós que agora ele passou a ter uma fome quase que insaciável e imediatista. 

Com a quarentena unimos este nosso hábito ao ócio e a cada minuto ouvimos o tic tac desta bomba relógio. Novamente "dou a mão à palmatória" ao trazer meus próprios relatos pessoais como evidência disso: bastaram os primeiros dias de isolamento para que pessoas distantes (contatinhos já inativos, longe tanto fisicamente como na frequência das interações) começaram a ressurgir aos bandos. O “oi sumido” passou a ocupar o horário nobre e “nudes gratuitos" passaram a chegar. Também pessoas amadas passaram a ter um comportamento diferente mostrando-se aflitas e inquietas, sugerindo que tal atitude transcendia as preocupações imediatas com a pandemia (o binômio emprego/saúde). Ao falar com colegas mais próximos, pude perceber não tratar-se de uma exclusividade minha, sendo que recebi relatos bastante semelhantes (o que me impediu de usar esta experiência para nutrir meu próprio ego e me sentir muito especial).

São perceptíveis também os “apelos” às mídias sociais quando todos mais que nunca passaram a postar seus treinos domésticos, novos penteados ou vídeos com filtros simulando o uso de máscaras faciais (afinal como bem colocou Leandro Karnal em debate recente, durante a quarentena todos finalmente têm a chance de serem mais próximos daquilo que fingem normalmente no Instagram: uma pessoa de família e equilibrada que encontra sua paz em exercícios de Yoga e treinos funcionais na tranquilidade de seu lar, ainda que esteja à beira de um ataque de nervos por dentro). As trocas de fotos dos perfis e do WhatsApp são também ainda mais frequentes, parecendo traduzir um “oi, olha eu aqui, me manda aquele emoj de corações que to precisando”.


O cerne do problema e a perda do controle (estar no poder; deter a prerrogativa da escolta)
Talvez alguém pergunte: se por vezes durante viagens (a depender do destino, do tempo disponível ou de estarmos comprometidos), num final de semana chuvoso e doméstico ou em outras situações acabamos “segurando a barra” sem tanto pesar, por que agora está tão difícil? Acredito que sejam dois fatores preponderantes ajudem a entender isso:
  1. Primeiramente durante estas situações específicas possuíamos maior previsibilidade quanto ao retorno à normalidade, o que acabava nos tranquilizando.
  2. Em segundo lugar (e o que acredito ser mais importante), o drama maior está na percepção de que perdemos a sensação de estar no controle. Isso acontece também quando somos a parte desinteressada em um certo relacionamento e vamos tocando com pouco ou nenhum engajamento, mantendo inicialmente (e filhadaputisticamente) controle de tudo. Minha avó costumava dizer que é difícil haver equidade de sentimentos em um relacionamento. Geralmente uma das partes sempre “gosta mais” e a outra acaba fazendo descaso (obviamente estamos falando de relações longe do ideal, mas nem por isso pouco usuais). A parte que nutre maiores sentimentos é aquela que se ferra, desdobrando-se para chamar a atenção (como uma criança quando quer aparecer para seus pais). A outra parte “dominante”, ciente da situação, geralmente amplia ainda mais seu desdém, já que foi mimada e mal acostumada a ser sempre buscada sem precisar nada fazer. Ocorre que em muitos casos este balanço não é imutável e uma hora geralmente “a ficha cai” e o lado mais devoto se cansa de correr atrás sem ser correspondido. Quando isso ocorre, não tem mais volta. A pessoa se cansou de tanto levar patada, de ser destratada e quando redescobre o amor próprio, não quer mais saber. A pessoa que antes era “servida” (e tinha o controle da relação) cai então em desespero, não necessariamente por perceber que perdera um grande amor, mas por perceber que perdeu o controle da situação (e, sim, "levou um pé”). 

Com a quarentena é mais ou menos assim: muitas vezes ficávamos tranquilos curtindo um final de semana no lar porque 1. sabíamos que era algo temporário e 2. possuíamos o controle sobre a situação (bastava se levantar do sofá, tomar um bom banho e “partiu balada” pra voltar à ativa). Agora, ao menos aos mais conscientes que estejam tentando zelar pela contenção da Covid (e pela segurança de seus familiares), há uma “grade invisível” que nos mantém presos em nossas casas, longe de um abraço carinhoso ou de uma troca de olhares mais insinuante. Perdemos o controle e e sequer sabemos ao certo quanto tempo isso vai durar! Notem que situação semelhante ocorre por exemplo quando nos lembramos da preguiça pré academia que nos mantinha presos a qualquer outra atividade antes do treino. Agora que a academia está lacrada, parece que nossa “vontade de treinar” só aumentou.


E agora, José?
Tá legal, estou preso em casa e este animal carente já está dando mortal carpado triplo aqui de faminto. O que fazer se isso, além de ser um instinto natural, é algo que eu vim nutrindo e fazendo crescer em minha vida? 

De fato somos animais e em última instância estamos de fato sujeitos a nosso instintos primitivos (muitas vezes em discussões mais calorosas percebemos claramente isso, principalmente quando o álcool remove alguns filtros sociais). Por outro lado, acredito que nossa civilidade seja justamente oriunda da contenção destes instintos. Do contrário estaríamos todos nos estapeando ou andando nus pelas ruas (ambas as coisas, por vezes, acabam por de fato ocorrer de tempos em tempos).

Mais uma vez, não quero ser taxativo nem pretensamente puritano: é óbvio que é ótimo se sentir desejado, correspondido e se deixar envolver pelos prazeres da carne (do contrário isso não teria ocupado posição central em tramas e enredos ao longo da história). Por outro lado, vale usar este tempo e este estado de exceção (principalmente por parte de quem admite ter uma compulsão por essa vida de “monogamia sequenciada”) para refletir se não estamos virando reféns desta carência, para aferir o quão intensa era essa nossa compulsão. O tempo é a matéria prima da vida, sendo também o recurso mais “democrático” que existe: todos nós, independente de credo, raça ou condição financeira temos as mesmas 24 horas diárias para aplicar da melhor maneira possível (sim, estou quase propondo uma teoria econômica do valor-trabalho aplicada à vida de forma geral). 

Apesar das delícias envolvidas no “jogo”, isso não deixa de ser uma distração, uma compulsão, e algo que demanda mais tempo investido que qualquer jogo compulsivo, mídia social ou série da Netflix. Obviamente há também (muita) beleza neste modo de vida “errante” quando as interações acabam sendo mais que apenas carnais, deixando experiências, fazendo brotar amizades que perduram para além das noitadas de sexo, ou memórias que não se esvaem a despeito do passar do tempo (vou emprestar as palavras de Drummond ao sugerir que “eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata”).

Em recente publicação, coloquei que minha mudança de país me impeliu a mudar alguns hábitos (veja mais em http://lucidez-insana.blogspot.com/2020/04/licoes-de-minha-experiencia-no-exterior.html ). Apenas de obviamente não estar também blindado a isto tudo (já que mantenho minha humanidade e meu próprio animalzinho interno que às vezes dá seus sinais de fome), muito provavelmente a única razão para eu não estar tão inconsolável e alheio à carência é o fato de eu ter me forçado a passar por uma “desintoxicação” recente quando de minha vinda para os EUA, momento em que basicamente mudei o foco (e alguns valores) para uma melhor adequação à nova vida, já que não estava fazendo sentido seguir nas noitadas de “caça” no novo ambiente em que eu não me sentia confortável e bem inserido. Troquei então o ambiente dos bares noturnos por mais constantes viagens, o prazer da leitura, de curtir meu próprio lar, além de muita endorfina oriunda de um fascínio por exercícios ao ar livre.

Mario Quitana, antes dos versos que ficaram já fatídicos de tanto proclamados ("O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você”) sugere: “(com o tempo) você aprende a gostar de você, a cuidar de você”, e é desnecessário enfatizar que isso é essencial. Por que não aproveitar o atual momento para literalmente “se fechar para balanço”? Usar este gigante tubo de ensaio para fazer um experimento também pessoal e buscar mais equilíbrio, vislumbrando ser você mesmo sua melhor distração ao se fazer útil, amar-se e colocar-se em primeiro lugar (não de forma narcisista, mas sim de zelar para construir sempre uma versão melhor de si mesmo)?

Se sairmos deste isolamento da forma como entramos não vamos estar fazendo nada muito diferente dos líderes políticos e empresariais inescrupulosos que muitas criticamos por parecerem  incorrer recorrentemente nos mesmos erros, mostrando-se incapazes de aprender com as crises.



Quando me amei

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é… autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… respeito.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… amor -próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes. Hoje descobri a… humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar muito com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é…. saber viver!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade




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