quinta-feira, 9 de abril de 2020

O porquê do súbito aumento da compra de papel higiênico no início da pandemia

Muito intrigado por esta questão filosófica histórica e disposto a me fazer útil, empenhei-me para deixar minha contribuição para a humanidade em meio à crise.

Fiz então uma pesquisa rápida para tentar entender o comportamento deste animal dito racional chamado homo sapiens.

O gatilho para tal pesquisa foi a imagem abaixo que trazia uma hipótese bastante plausível:



Na Flórida (onde vivo) apesar da população estar (hipoteticamente) acostumada ao racionamento e estoques de mantimentos (devido ao risco iminente de furacões sobretudo entre os meses de julho e setembro), entre 24 de fevereiro e 10 de março as vendas de papel higiênico subiram 51% para depois disparar nada mesmo de  845% nos dias 11 e 12 após anunciado o lockdown.


Uma análise mais compreensiva me trouxe os seguintes fatos:

Perspectiva da demanda
  1. pessoas tendem a fazer estoque (principalmente de coisas que remetam à limpeza)
  2. papel higiênico é volumoso e chama à atenção (se uma pessoa compra muito, desperta a “curiosidade” alheia para seguir um comportamento de manada)

Perspectiva da oferta (varejo):
  1. Ocupa muito lugar nas governo gôndolas e nas áreas de armazenagem 
  2. Confere baixa lucratividade ao varejista 
  3. Não há,  portanto manutenção de grandes estoques

Perspectiva da oferta (distribuição):
  1. Ocupa muito volume e pouco peso (baixa rentabilidade do frete)

Perspectiva da oferta (produção)
  1. Pela baixa lucratividade, já é produzido ininterruptamente (24x7) para otimização da linha, fazendo-se difícil expandir a produção no curto prazo (não há capacidade ociosa, seria necessário investir na expansão da produção ou deslocar a produção de produtos similares, ex: rolos maiores de papel higiênico para uso em banheiros públicos ou estabelecimentos comerciais)

Ademais, minha pesquisa permitiu também trazer o gráfico ilustrativo a seguir, que propõe uma revisão das necessidades Maslownianas aplicada à pandemia. Permite-se desprender ainda que o surto alucinante de diarréia que acometeu a população entre o fim de fevereiro e início de março finalmente foi controlado!


Ainda assim, em tempos de achismo e contrariando as evidências e explicações mais lógicas, prefiro acreditar que o povo desanda a comprar papel higiênico porque acredita que o vírus entra pelo c*!


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