Perder alguém é readaptar-se à companhia de si próprio (ou talvez à de outrem).
É experimentar o amargo vácuo dos momentos que não mais serão divididos.
É enxergar e sentir o cheiro daquele que se foi ao se fechar os olhos.
É ter nos cômodos um rastro fantasma das memórias ali vividas.
É virar as páginas mas se deparar com as mesmas histórias cravadas no imaginário.
É viver a modernidade líquida e entender que somos perecíveis na vida do outro.
É dar-se conta de que estamos habituados à inércia, sendo qualquer mudança sempre tida com relutância como um corpo estranho.
É um sinal de que nós prosseguimos ainda que aos pedaços.
É também sobreviver, ainda que tentando recuperar o sentido de viver.
É permitir se reinventar.
É parte indissociável da delícia e da dor de nossa vil existência.
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