Para mim dezembro sempre foi carregado de significado além da óbvia perspectiva festiva. É um mês mais leve, mais curto, com dias longos e “cheiro de praia”, estando repleto de encontros e confraternizações. E com toda esta atmosfera acabamos nos permitindo nos libertar e curtir mais.
E tão inevitáveis quanto as comemorações são as flexões, retrospectivas e votos para com um novo ano. Desta vez perante um turbilhão de mudanças não poderia ser diferente na minha vida.
Há um ano eu estaria entrando no dezembro mas movimentado de minha vida, repleto de encontros e desencontros, alguns dos quais mudariam em grande parte o curso de 2019. Estava para encontrar meu irmão, pai e mãe para um Natal em família e para logo em seguida montar na moto e zarpar Brasil afora encontrando amigos antigos “diasporados” pelos 4 cantos e fazendo uma porção de novos.
Agora estou aqui no além-mar, vivendo uma experiência única profissional e pessoal. As festividades e longas noites no boteco deram lugar a muita introspecção, corridas na praia e divagação (de corpo, cabeça e alma nas muitas trips que tenho tido a oportunidade de experimentar). Os momentos entre amigos foram substituídos pela oportunidade de conhecer novas pessoas, sentir como são os relacionamentos em uma nova cultura e principalmente vivenciar o carinho daqueles que mesmo distantes se fazem presentes.
É assim que o tempo e a distância se mostram implacáveis: acabam por despir formalidades, declarações apenas proferidas e frases de efeito, revelando a mais transparente realidade. Fica evidenciada assim a proximidade e o apreço mesmo por parte de alguns que eu considerava distantes, sendo muitas vezes a desilusão com o inverso igualmente verdadeira. Se faltaram palavras, oportunidade ou coragem para proferi-las aos verdadeiros amigos, o abraço franco, os olhos mareados e a voz trêmula não deixaram medir. Sim, viajar (ou neste caso se mudar) é talvez mais que tudo um exercício de autoconhecimento e reflexão que muito revela sobre nós mesmos e sobre aqueles que nos cercam: você inevitavelmente acaba por perceber que se alguns acabam “te enterrando vivo”, outros fazem questão de manter viva sua memória, celebrando antecipadamente cada perspectiva de reencontro.
O conforto do pertencimento de estar entre os "seus" deu então lugar à excitação por explorar o novo. Mas não cabe comparação entre o ontem e o hoje. A verdade é que existe beleza em cada parte dessa estrada. Mesmo os trechos mais sinuosos, traiçoeiros e de pavimento indigesto trazem consigo grandes lições. É fato que a gente nunca vai se esquecer de quem se desviou brevemente de sua jornada para ajudar você parado no acostamento.
Sigamos então sempre adiante (ainda que por vezes o adiante seja alguma mudança na estrada para corrigir a trajetória), sempre com gratidão aos que cruza nosso caminho e de alguma forma tocam nossas vidas nossas vidas. Que venham mais muitas curvas, ladeiras, serras e suaves brisas com lindas paisagens em 2020.
Obrigado aos que comigo estiveram de fato nesta jornada até aqui. Felicidades e até muito em breve!
Forte Abraço
Milani
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