domingo, 30 de junho de 2019

Confissões de um misantropo (aos que magoei)

A incerteza e o novo sempre me fascinaram.

Talvez por isso as viagens me encantem. 

Mas por trás deste entanto se esconde uma inquietação, quiça um medo.

Talvez não um medo refém da covardia, mas uma vertigem natural e irrepreensível.

A cada quilômetro rodado, juntamente à excitação pelas descobertas habita a ansiedade.

E esta não traduz apenas a busca pelo desconhecido, mas representa também a consciência de que com as descobertas amplia-se a distância do conforto doméstico.

Reproduz-se assim a dicotomia entre a liberdade e a segurança.

Agora às vésperas de uma grande mudança ponho-me então a refletir passando, tardiamente, a entender que esta mesma lógica se aplica também a outras esferas de minha natureza.

Percebo que tenho nas relações humanas comportamento similar ao de um símio que se afasta do fogo ao nele ter se queimado.

Ainda que este afastamento social traga o desconforto do frio, prefiro-o à criação de expectativas e apego inerentes à vida (ambos talvez dois dos maiores determinantes da infelicidade humana).

Relegado portanto a uma confessa misantropia, para a ficar evidente que aos olhos inquisitórios de muitos meu comportamento é errático.

Nunca se tratou de desprezo ou desgosto, mas apenas minha sujeição à própria natureza vira-lata destinada e adaptada a vagar e forma só e independente, seja isto feito por prazer ou auto preservação.

Simplesmente prefiro os riscos do oceano ao conforto trazido pelas paredes de vidro de um aquário.

Isso não impede  todavia que eu deixe minhas sinceras desculpas àqueles que eu possa ter desapontado por aquilo que pode ser visto como uma relativa inaptidão social.

Apenas prefiro ser juto com minha natureza à hipocrisia de me contradizer apenas em busca de adequação.

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