domingo, 29 de novembro de 2015

Por que escrevo? Fragmentos da hipotética autobiografia de um normal errante

"Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Por vezes sou inquirido sobre o porquê de eu escrever meus pensamentos. Ou então, quando há menos sutileza, sou alvejado por críticas de que meus atos por vezes não estão em total consonância com aquilo que algum dia escrevi.

Lembro-me de certa vez, ainda no ensino médio ter sido convocado por uma psicóloga para me descrever, contar ao mundo aquilo que sou. Foi aí que, mesmo em uma época muito anterior aos formulários “about me” de orkut, facebook, tinder,  etc, percebi que comumente nos descrevemos como aquilo que desejamos ser, e não precisamente aquilo que de fato somos. Colocado de outra forma, penso ser preciso de muito auto conhecimento, auto crítica e convicção para conseguir efetivamente se esquivar das armadilhas da imagem externa. 

Assim, tal como nas fotos que postamos diariamente nas mídias sociais (escrevi sobre isso recentemente, sendo também de forma convicta vítima disso), muitas vezes a imagem capturado pelas lentes e compartilhada às multidões reflete a imagem que gostaríamos de passar de nossas vidas (o quem, ouso inferir, pouco representa o que de fato estamos vivenciando). Vejam o vídeo que reflete com crueza esse fenômeno: https://www.youtube.com/watch?v=QxVZYiJKl1Y 
A origem etimológica da palavra ideia vem da Grécia, sendo que o termo representa uma imagem mental daquilo de um objeto real. Nessa perspectiva existem portanto percepções e imagens (ideias) de nós para todos nossos pares. E as mídias sociais vem sendo usadas como ferramentas (ou armadilhas) para reafirmarmos essas ideias (ou então falsas ideias) sobre nós mesmos).

Dito isso, acredito as palavras representam, de forma datada e contextual, o que em algum momento pareceu correto e fez sentido em nossas vidas. E acho importante revisitarmos nossas percepções de tempos em tempos. Seja para fortalecer aquilo que pensamos ou, alternativamente, permitirmo-nos mudar.  Sim, mudar como na sintética, direta e assertiva resposta de Keynes quando foi questionado/criticado por proferir algo que ia na direção contrária a suas postulações anteriores: “Mudei minha opinião”. Podemos (e devemos) muito bem mudar nossas  perspectiva. E isso sinônimo de que estamos em constante evolução e aprendizado, não havendo nada de errado em assumir isso.

Por que escrevo? Trata-se assim de fragmentos da hipotética autobiografia de um normal errante. 

Deixo um esboço de minha autoria que encontrei hoje em meu computador para ilustrar o que quero dizer:


As Palavras

Aprendi a contemplar as palavras com tinta borradas

imunes a ríspidas mudanças

e numa folha de papel eternizadas,



Tem assim seu valor guardado

que será traduzido pela perspectiva

e momento daquele que as tenha decifrado.



E os rabiscos que outrora abriam risos

agora fazem transbordar saudosas lagrimas.

É o tortuoso tempo que se vai sem deixar avisos



O  bicho homem muda suas convicções

mas ao contrário das mentes esquecidas 

e das índoles com suas enganações




Os escritos vao para sempre guardar

aquilo que ao menos por um segundo

talvez tenha sido marcado para durar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário