Vamos lá aos INTELECTUAIS DA SIMPLIFICAÇÃO EXTREMA que estão por aí "traduzindo" as ações da flexibilização da contenção (sim, instaurou-se uma simplificação de fenômenos complexos sem fontes ou referências de pessoas sem embasamento):
Em teoria pode parecer sensato e "sem risco" o retorno da vida normal com a mitigação da crise apenas com a contenção dos enfermos, MAS, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA, ENTRETANTO:
1. O mundo (em especial Europa e Inglaterra) tentou isso de fazer uma contenção mais branda (afinal, nenhum país no mundo "abraçou" com felicidade a ideia de praticamente congelar suas atividades) com sabidos resultados catastróficos até serem obrigados a decretarem lockdown (mas já com consequências inevitáveis). Sim, o fenômeno exponencial é matemático e portanto se agrava mais rapidamente quanto maior for o ponto de partida (base). Afinal, não é exatamente esta a crítica à China? Que o fato de esconder e não conter a crise inicialmente permitiu seu alastramento? Oras, por que agora defendem que façamos o mesmo?
2. Qual o impacto (social e econômico mesmo) se fizermos tal liberalização precipitada e depois precisemos voltar atrás e lidar com um problema muito majorado?
3. Como garantir que em um cenário mais "liberal" as pessoas irão reagir corretamente. Detalhando: em um país de restrita educação e discernimento no qual pessoas até há 3 dias aventuravam-se em bares, baladas e bailes funk mesmo diante da perspectiva da quarentena (para não mencionar aqueles ESCLARECIDOS que se aventuraram numa certa manifestação "pró presidente" pouco tempo antes), como garantir uma adesão adequada ao movimento? Como prevenir que um egoísta sabidamente contaminado adentre no transporte público sem se importar com os demais presentes? Ou então como garantir que uma pessoa contaminada não se lance às ruas apenas por desespero (e neste caso as ruas estarão repletas de inocentes e potenciais vítimas)?
4. Como garantir a segregação dos assintomáticos que mesmo sem sentir ou demonstrar os efeitos da moléstia são transmissores em potencial?
5. Como garantir a livre circulação das pessoas em risco (para atividades básicas de compras, etc) em um ambiente abarrotado e tumultuado pela retomada das atividades?
6. Qual o real ônus econômico calculado e qual o impacto para as finanças públicas e endividamento? Alguém de fato analisou os números? Por que a conta sempre é apresentada ao trabalhador? Já pensaram ser possível trabalhar a taxação de grandes fortunas, lucros e dividendos do capital rentista, salários de políticos e funcionalismo? Obviamente é perceptível que o impacto será severo, porém não basta "sapiamente" empregar-se de chavrões como "VAI QUEBRAR A ECONOMIA" sem de fato tecer uma análise pormenorizada... Ou alguém acha o anúncio de um TRIlhão de DÓLARES dos EUA foi feito sem qualquer planejamento e consciência sobre os desdobramentos?
Economia é um bicho complicado, um misto de ciência social (com incertezas oriundas do comportamento humano pautado em informações imperfeitas e expectativas) e rigor matemático... Aqueles que semana passada defendiam a supressão dos salários do trabalhador possivelmente se "esqueceram" (além das manutenção humanitária das condições mínimas do mesmo) de um fator chamado "fluxo circular da renda", ou seja, principalmente em um país de baixa reserva (poupança) e crédito escasso, sem $ no bolso da população em geral não há retroalimentação do fluxo para as empresas de forma a garantir a continuidade da produção para a máquina continuar girando... e o "impulso" da medida perde fôlego na primeira esquina... tudo precisa ser melhor ponderado...
7. Qual a esperada retomada atividade econômica (e financeira) se ainda estaremos em um cenário de extremo risco e incerteza em que a doença e a morte se espalham por não ter havido uma devida contenção? Alguém ira às concessionárias comprar um carro novo? Buscar um novo apartamento? E que tal comprar aquele novo salto nas galerias da Oscar Freire? Ou talvez seja melhor assistir aos privilegiados (investidores institucionais e capital estrangeiro em grande maioria) amealharem mais alguns milhares na montanha russa do Ibovespa...
Como podem ver, esta discussão de "saúde" ou "economia", "mitigação" ou "quarentena" precisa ser mais técnica e embasada sem decisões ou tomadas de partido precipitados. O fenômeno é sem precedentes mas há modelos, experiências internacionais e cálculos que podem ser usados apenas como base.
Estou tentando mostrar com alguns pontos rapidamente levantados (certamente há outros tantos) que não basta vestir a camiseta da seleção brasileira ou do Chê Guevara e defender Flamengo ou Fluminense de forma cega e apenas partidária. Há que pensar, refletir e acima de tudo COBRAR ESCLARECIMENTOS QUE NÃO SEJAM APENAS FRASES FEITAS ISOLADAS.
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