terça-feira, 13 de novembro de 2012
A beleza da mulher brasileira
Escrevo diretamente de um café de Ipanema, Rio de Janeiro, numa tarde encalorada de sábado, o que por si só poderia parecer um contra senso. Explico então tratar-se de uma tarde chuvosa, a qual já permite uma formatação bastante singular do ambiente nesse típico e movimento bairro carioca. O comportamento hidrofóbico, característico dos habitantes oficiais da região, faz com que nas ruas mais movimentadas o português fique diminuto perante o espanhol, inglês, alemão, dentre outras línguas menos fáceis de se identificar, que ecoam das conversas alheias.
Neste sentido e embebido pelo tédio que acomete o fato de estar fora de casa e sem muito o que fazer (e confessadamente procrastinando algumas das muitas pendências com que poderia estar lidando agora), flagrei-me fitando o comportamento alheio, assinalando mentalmente algumas nuances (o que, ainda que se inicia inconscientemente, é algo que percebi gostar de fazer).
Eis que nas “gringas” presentes, a despeito dos formosos cabelos louros e olhos de cores bastante raras em nosso país, a falta de jeito, os movimentos desengonçados são latentes e o desprovimento de “classe feminina” são latentes: roupas de cores dignas da fauna brasileira, misturadas de forma desordenada, tamanhos do vestuário desproporcional ao tamanho corporal, falta de postura feminina (não raras vezes estão sentadas de pernas entreabertas, mesmo trajando curtas saias) e gestos que não muito se diferenciam de vikings em filmes épicos.
É aí, diante de um contraponto que permita a comparação, que fica reforçada a graciosidade e o charme da mulher brasileira (muitas vezes declaradamente desapercebidas por nós). Infelizmente tais atributos são muitas vezes perdidos ou desconsiderados em meio à nossa “afasia do cotidiano” ou o que é pior, perante ao culto ao estrangeiro e à aceitação e generalização do estereótipo de uma mulher lasciva e “carnavalesca”, o que apesar de não ser de todo uma inverdade (cegueira maior seria negar a existência de representantes desta “espécime”), caracteriza apenas uma restrita parte de nossas mulheres, não devendo ofuscar o brilho de mais um atributo nacional.
Então que seja feita justiça à sua delicadeza, sutileza, discrição e modo cativante, capaz de fazer escola de bons modos e comportamentos e cunhar um referencial internacional. Certamente um atributo da miscigenação genética, em um lento trabalho natural de mais de cinco séculos, atrelado obviamente a um movimento social de seleção, preservação e alteração de hábitos culturais e comportamentais.
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