quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Abaixo ao falso moralismo (pretensamente intelectualizado e de uma suposta esquerda acomodada e complacente)

“A crítica ferrenha de intelectuais a partir de sua posição passiva e atuação morna não muito difere do envio de soldados para frente de batalha por queles que, de dentro de seus suntuosos gabinetes, buscam a glória das conquistas com o derramamento do sangue alheio". Sem qualquer objetivo de incitar diálogos virtuais inflamados e tomando por base a mesma liberdade de “expressão social tecnologicamente amparada” daqueles que critico, registro aqui me repúdio aos comumente dissimulados e contraditórios comentários tecidos contra o consumismo, críticos ao Capital e ao Sistema imperante. De forma alguma lhes tiro a razão e fundamento quanto aos pontos levantados, mas tão simplesmente acho bastante irônico e perplexo que tais discursos (que muitas vezes infelizmente transcendem a perspectiva virtual, aporrinhando-nos até mesmo em nosso cotidiano, quando não também em eventos mais descontraídos e festivos) venham de indivíduos pertencentes a uma seleta “casta” da sociedade. Resumidamente, pessoas complacentes e arraigadas à própria dinâmica a que duramente simulam contestar. Trabalhadores vinculados a instituições privadas, proprietários de Macbooks e iPads, automóveis, dentre outras posses. Aqueles que vinculam suas férias no “demonizado” centro capitalista europeu ou norte-americano (mas nunca em missões assistencialistas a regiões mais pobres do globo ou mesmo de nosso país). São justamente os quais se debruçam sobre a programação das TVs por assinatura, deixando de lado as decisões do legislativo (sim, desafio a maioria a comprovar audiência às sessões da TV Senado), sequer lembrando-se dos encontros legislativos municiais. Pessoas que enfim, mesmo se mostrando apolíticas e não militantes de movimento algum, mas críticos de um todo sem uma proposta concreta, parecem apenas assim agir como meio de tentar simular algum tipo de intelectualidade, como se houvesse um vínculo indissociável entre estas duas frentes. Contra os falsos militantes, e não deixando de assinalar meu respeito aos que de fato lutam por uma causa, o que, comumente, é mais factível quando não revestido no manto revolucionário demasiadamente idealista (mas sim em sólidas propostas efetivamente transformadoras), assim protesto! Ao fazê-lo, deixo o peito aberto a críticas, hasteio aqui novamente minha bandeira confessadamente egoísta mas certamente pragmática de que a busca por uma condição mais digna passa não por discursos inflamados contra um inimigo onipresente e invisível (o Ilustríssimo Sistema Capitalista), mas por pessoas que ainda que seguem uma espécie de lógica do cavalo de troia, ou seja, partem deste próprio Sistema buscando agir e transformar.

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